A Responsabilidade do Mestre Maçom ao Indicar um Candidato
Quem Estamos Iniciando? O Rigor Necessário na Escolha de um Candidato
Acredito que a iniciação é o momento mais sublime da caminhada do Maçom, é o nascimento para uma vida de busca incessante de lapidação enquanto ser humano. É um momento que acontece uma única vez e marca para sempre a história do Iniciado.
Indago: o que seria iniciar na Maçonaria? Ora, vejamos, o Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis¹ define o verbo iniciar como: inteirar-se e sujeitar-se aos mistérios, práticas e cerimônias de alguma ordem.
Deste conceito, outros desdobramentos permeiam a Ordem Maçônica, quais sejam: “O Irmão X é um profano de avental”, “Iniciou na Maçonaria, mas a Maçonaria nunca iniciou nele”, “Tem mais Maçons lá fora do que aqui”, entre outros. Passo a discorrer, segundo o meu ponto de vista, sobre cada uma dessas afirmações.
Não obstante os exaustivos critérios legais e morais para o ingresso na Ordem, alguns iniciados, de fato, nunca passaram da Câmara de Reflexões e permanecem tanto imersos em um mar de vícios quanto inertes no desbastar da Pedra Bruta. São os famosos “Profanos de Avental”. Ora, se o Aprendiz Maçom inicia a sua jornada trabalhando nesse lapidar, como poderia alguém vestir o avental sem utilizar ao menos o Malho? Ele é definido no Dicionário de Maçonaria² como o instrumento de trabalho do aprendiz para, alegoricamente, desbastar a pedra, ou educar a agreste e inculta personalidade para uma vida ou obra superior.
A Maçonaria é uma Ordem Iniciática. Isso significa que, após concluir a cerimônia de iniciação, não há possibilidade lógica de reversão da condição, o que desmistifica muitas das falácias de supostos “ex-maçons” da internet. De fato, existem outras condições que afastam iniciados temporariamente ou definitivamente da Ordem, como sanções disciplinares ou a expedição de Quite Placet. Diante de tudo isso, reafirmo: ainda não existe uma máquina do tempo que faça o Maçom voltar à qualidade de profano. Portanto, um “profano de avental” ou um Irmão que nunca permitiu que a Maçonaria metaforicamente se inicie em si, quer queiramos ou não, será sempre Irmão.
A contrario sensu, dizer que “tem mais Maçons lá fora do que aqui” configura um erro crasso na compreensão do que é uma Ordem iniciática. Profanos que nunca tiveram contato com a filosofia maçônica, por melhores que sejam, jamais poderiam ser considerados Maçons. Isso fere toda a lógica explanada até aqui.
A reflexão que deixo nesse recorte é: o Mestre Maçom, como defensor incansável da Ordem, deve sempre elevar seus critérios de seleção ao indicar um candidato, bem como as sindicâncias devem ser feitas com a imparcialidade e a seriedade que o processo exige. Afinal, os profanos de avental e os que não permitem que a Maçonaria se inicie em si ingressaram porque um Mestre não teve a cautela necessária.
Existe um ditado na minha Loja que acho válido compartilhar: só convide alguém para a Maçonaria se você tiver a coragem de colocar essa pessoa por uma semana na sua casa, convivendo com a sua família. Afinal, somos uma família. Somos irmãos, tios, temos cunhadas e sobrinhos.
Que possamos proteger sempre a nossa Ordem, para que as gerações futuras possam usufruir também do conhecimento que nos foi reservado.
¹ Dicionário Michaelis Online. Verbete: Iniciar. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/palavra/RQ2WL/iniciar/. Acesso em: junho de 2026.
² Dicionário de Maçonaria. Joaquim Gervásio de Figueiredo, Verbete: Malho, São Paulo: Editora Pensamento.
T∴F∴A∴
Saulo Pinheiro
M∴M∴
G∴B∴L∴S∴ Amazonas nº 02
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