A manipulação das massas e a cegueira ideológica frente à Fé e à Razão
Começo esse meu recorte deixando claro que meu texto não possui viés político, e de modo algum me nego a exercer o direito de voto, garantido pela nossa Carta Magna. No entanto, eu não posso me furtar de fazer algumas ponderações sobre o período hipócrita que se aproxima.
Observando o cenário político contemporâneo, não preciso de muito esforço cognitivo para perceber o fortalecimento de uma ilusão de ótica sociológica: a falsa premissa de que a extrema-esquerda e a extrema-direita representam polos filosóficos opostos e inconciliáveis. Essa polarização nebulosa não passa de uma engrenagem de controle social. Existe uma tese muito famosa chamada "Teoria da Ferradura" ou "Horseshoe Theory", popularizada pelo filósofo francês Jean-Pierre Faye, para demonstrar como esses extremos ideológicos se curvam até se encontrarem no mesmo eixo comportamental: o autoritarismo, a supressão do raciocínio crítico, o culto à personalidade e a substituição da verdade pelo dogma partidário. Entendo que, para o Cristão e o Obreiro (maçonaria) que busca a sobriedade da fé e/ou equilíbrio do nosso prumo moral, desconstruir esse "culto irracional" é o primeiro e mais urgente imperativo para resgatar a autonomia de quem valoriza a faculdade que nos difere dos outros animais: PENSAR (nesse caso, faculdade por motivos óbvios).
Vou me restringir aqui, por ser apenas um recorte, ao aspecto cristão e ao aspecto maçônico.
Sob a ótica do Novo Testamento, a adesão cega aos extremos políticos representa a própria degradação moral e espiritual. Vamos fazer uma breve análise do julgamento de Jesus Cristo, por Pôncio Pilatos, onde assistimos ao exemplo de efeito manada mais clássico (na minha opinião) registrado na história da humanidade.
Quando estou estudando a bíblia faço o exercício de buscar entender, no original (Grego Koiné), o que o autor realmente quis expressar. No caso em tela, Mateus utiliza a palavra "Ὄχλος" (Ochlos) em Mateus 27:20, para se referir a multidão desordenada que reage por gatilhos emocionais, medo e manipulação demagógica.
Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a pedir Barrabás e a crucificar Jesus. Não estamos falando de um mero ladrão, a palavra utilizada no Novo Testamento era lēstēs (ληστής). Flávio Josefo usava o termo para descrever os guerrilheiros e revolucionários nacionalistas que lutavam contra o domínio do Império Romano.
A multidão, cega pelo efeito manada e incitada por lideranças religiosas corruptas, fez uma escolha ideológica: preteriu a Verdade Encarnada para abraçar um justiceiro político violento. O grito da massa suprimiu a consciência individual de cada cidadão ali presente.
Quando o cristão se deixa arrastar pela histeria das militâncias, seja da extrema-esquerda ou da extrema-direita, ele repete o comportamento do "ochlos". O famoso efeito manada faz com que o indivíduo abra mão da sua responsabilidade moral perante Deus para reproduzir os bordões do grupo e defender seu "Barrabás" de estimação.
Sob a perspectiva da Maçonaria, a cegueira e a paixão a extremos ideológicos é uma verdadeira antítese à filosofia maçônica. A Ordem não é um clube de conveniência ou um comitê de partidário. Longe disso, é um rigoroso sistema de filosofia moral e busca da Verdade. As nossas ferramentas de trabalho existem precisamente para calibrar o julgamento do Maçom, impedindo que ele seja tragado pelas paixões do mundo profano. A Filosofia Maçônica combate da mesma forma duas desgraças políticas: a Tirania e a Oclocracia ("VAMOS INVADIR BRASILÍA E DESTITUIR O STF"). A história é implacável: tanto os regimes de Extrema-Esquerda quanto os de Extrema-Direita perseguiram terrivelmente a Maçonaria, fecharam Lojas e executaram Maçons. O tirano, seja ele comunista ou fascista, exige a submissão total da mente do indivíduo ao Estado, e a Maçonaria ensina o homem a pensar por si mesmo, sob a régua do livre-arbítrio, da retidão moral e da obediência ao Grande Arquiteto do Universo (O Deus de sua religião).
Concluo este meu recorte apontando para a convergência entre o crente genuíno e o Maçom instruído: a recusa em servir de massa de manobra para a demagogia partidária. Quando observamos os extremos se tocarem no topo do autoritarismo, da histeria coletiva e do desrespeito à dignidade da pessoa humana, compreendemos que a verdadeira batalha não se dá entre a esquerda e a direita, mas entre a massa e a consciência autônoma. Não há espaço na caminhada de fé nem na pedreira da Ordem para o "passamento de pano", para a justificativa da imoralidade ou para a idolatria de salvadores da pátria. Que o crente encontre na Palavra de Deus a sua bússola inegociável contra a sedução dos príncipes deste mundo e que o Obreiro utilize a razão e a ética para permanecer firme. Rejeitar o fanatismo não é omissão política, mas um ato supremo de fidelidade ao Criador e compromisso com a verdadeira Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
T∴F∴A∴
Saulo Pinheiro
M∴M∴
G∴B∴L∴S∴ Amazonas nº 02
Comentários