A desconstrução dos mitos, o combate ao fanatismo e o trabalho diário no desbaste da pedra interior.
Geralmente, reservo as segundas-feiras para as publicações do blog. Esta semana eu fiz uma quebra deliberada no cronograma: O recorte acerca do 20 de agosto, o Dia do Maçom. Uma data que não nasce de lendas ancestrais ou de misticismos difusos da maçonaria romântica, ela é estritamente histórica e remete à sessão de 1822 no Grande Oriente do Brasil, quando o Irmão Joaquim Gonçalves Ledo ergueu a voz pela independência do país, provando que o papel do Obreiro da Arte Real sempre foi atuar na sociedade civil com coragem, sobriedade e patriotismo.
Mas eu trago uma outra reflexão essencial: o que é ser Maçom no século XXI?
A Maçonaria não é um balcão de vantagens profanas, muito menos uma sociedade de conspiradores da “Nova Ordem Mundial”. É uma escola de filosofia moral e aperfeiçoamento do caráter, fundamentada na linguagem alegórica e simbólica. Seu objetivo basilar é simples em sua definição, mas exigente na sua execução: desbastar a Pedra Bruta das imperfeições humanas para contribuir na edificação de uma sociedade mais justa e livre.
Em uma época saturada de ruído, histeria e superficialidade, a humanidade permanece refém de três velhos opressores que a Ordem historicamente combate: a Ignorância, o Fanatismo e o Vício.
A Ignorância não é apenas a falta de instrução formal, mas a ausência de discernimento que escraviza o homem ao senso comum. O Fanatismo é a exacerbação do dogma e da intolerância, isto é, um zelo destituído de entendimento, que cega a razão e destrói a fraternidade. E o Vício é a fraqueza moral que faz do indivíduo um escravo de suas próprias paixões desordenadas.
Nenhum homem pode pretender consertar o mundo exterior se for incapaz de governar a si mesmo. O esquadro da retidão precisa ser assentado, em primeiro lugar, sobre o nosso próprio coração. O desbaste do nosso próprio caráter exige maço, cinzel, oração e renúncia diária.
Neste 20 de agosto, homenageio os Irmãos que labutam com honestidade e discrição nas pedreiras da Ordem. Que o Grande Arquiteto do Universo continue nos capacitando a trocar a vaidade pelo serviço, o sectarismo pela busca da Verdade e a conveniência pelo dever moral.
T∴F∴A∴
Saulo Pinheiro
M∴M∴
G∴B∴L∴S∴ Amazonas nº 02