O Teto da Filosofia e a Infinitude do Logos

Uma Reflexão Sobre a Vaidade Digital e a Busca Pela Verdadeira Sabedoria

Aprender a viver, no mundo de hoje, é de fato um desafio. Vivemos em um mundo informatizado, caracterizado pela velocidade com que a informação é propagada. O meu recorte de hoje é sobre a triste realidade de uma sociedade movida por aparências e acúmulo de bens materiais.

Para começar meu recorte, eu preciso citar uma história na qual tive conhecimento lendo um livro muito interessante chamado How to Think Like a Roman Emperor¹. Este livro me levou a mergulhar na história de Zenão de Cítio, um filósofo helenístico da Grécia Antiga, fundador do estoicismo².

Zenão, por volta de 300 a.C., transportava uma valiosa carga de púrpura fenícia (um corante raro e muito caro extraído de moluscos, símbolo de realeza e altíssimo luxo na antiguidade). A embarcação naufragou nas proximidades do porto do Pireu, em Atenas. Ele sobreviveu, mas perdeu todo o patrimônio que tinha. De um homem rico e influente, ele foi reduzido a um "sem relevância" na capital intelectual do mundo grego.

Zenão consultou o Oráculo de Delfos, através da sacerdotisa Pítia, porta-voz do deus Apolo na mitologia grega. Ele perguntou ao oráculo o que deveria fazer para alcançar a melhor vida possível e a resposta da sacerdotisa foi: "Tome a cor dos mortos."

De volta a Atenas, se dirigiu a uma Livraria e começou a ler Sócrates. Momento que o fez entender o verdadeiro sentido da palavra "mortos": o conhecimento através dos sábios do passado.

Zenão lendo Sócrates na livraria

Esse episódio atua como um espelho para a nossa geração. Assim como Zenão, a sociedade dos dias atuais navega sobrecarregada por sua própria "púrpura": a busca incessante por status, o acúmulo frenético de títulos e bens e a hipervalorização da estética nas redes sociais associada a uma mendicância assombrosa por "likes". O drama moderno é que, quando as inevitáveis tempestades da vida atingem essas embarcações frágeis, o homem contemporâneo naufraga junto com sua carga, uma vez que ele construiu sua identidade sobre aquilo que a água pode levar. Permitam-me a inevitável referência:

E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína.
— Mateus 7:26-27

A verdadeira virada na vida de Zenão não foi apenas sobreviver ao mar, mas compreender a profundidade do conselho recebido. Ao "tomar a cor dos mortos", ele realizou o que, simbolicamente na Maçonaria, entendemos como o despojamento dos metais. Foi necessário perder as riquezas perecíveis da vida profana para enxergar a urgência de edificar o intelecto e o caráter. Ele trocou o luxo externo pela edificação do Templo Interior, encontrando na resiliência e na ética a bússola para governar a si mesmo.

No entanto, como Cristão, não posso me contentar em parar no pórtico de Atenas. O estoicismo fornece uma excelente ferramenta de contenção moral e nos ensina a não sermos escravos das paixões e das perdas materiais. Mas a filosofia clássica, por si só, possui um teto. O filósofo busca a plenitude, enquanto o cristão, pelo contrário, descobre que a plenitude o encontrou. O nosso "teto" é rompido pelo Cristo.

Aprender a viver no mundo de hoje exige, portanto, uma dupla disciplina. Requer a coragem estoica de "tomar a cor dos mortos" para as futilidades, vaidades e ilusões materiais, compreendendo que a nossa essência não reside no que possuímos, mas exige a fé ativa para buscar a verdadeira sabedoria não apenas nos sábios que já partiram, mas Naquele que venceu a morte. Afinal, a régua da filosofia pode organizar a conduta do homem na terra, mas somente o prumo da graça divina é capaz de alinhar a nossa alma à eternidade.


¹ ROBERTSON, Donald. How to Think Like a Roman Emperor: The Stoic Philosophy of Marcus Aurelius. St. Martin's Press, 2019.

² LAÉRCIO, Diógenes. Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres. Livro VII: Zenão. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora UnB.

T∴F∴A∴

Saulo Pinheiro

M∴M∴

G∴B∴L∴S∴ Amazonas nº 02

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